quarta-feira, 17 de março de 2010

LARGO DO RATO: devagar, devagarinho... AÍ VÊM ELES OUTRA VEZ...



Reunião extraordinária, dia 22, pelas 12h30:


«Proposta n.º 103/2010 Aprovar a revogação da Deliberação de rejeição que recaiu sobre a Proposta n.º 1035/2008, referente ao pedido de licenciamento de obra de construção nova para o prédio sito no gaveto formado pela Rua do Salitre nºs 182 a 198, Rua Alexandre Herculano nºs 63 e 63-A e Largo do Rato nºs 6 e 6-A, freguesia de São Mamede, que constitui o Proc.º n.º 162/EDI/2008, nos termos da proposta.»
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Depois de entregue uma petição pública, com mais de cinco mil assinaturas, volta a estar em cima da mesa a proposta de aprovação para este edifício que, na gíria popular, se passou a denominar de "Mono do Rato":Espera-se que a posição dos Senhores Vereadores e das respectivas forças políticas, seja a da coerência e a do respeito pela vontade dos cidadãos que os elegeram e que se manisfestaram, atravês desse meio, em nº mais do que expresivo, percebendo que a voz dos cidadãos é aquela que devem defender.
De uma vez por todas, deverão arrumar este assunto, que é exclusivamente político, com um grande e redondo chumbo, não podendo o executivo camarário estar sujeito a qualquer tipo de coacção ou pressão, uma vez que a constituição de direitos construtivos, nunca teve lugar, dado nunca ter sido emitida a respectiva licença de construção.
Assim, a retórica falaciosa da constituição de processo indemnizatório, caso a CML persista em manter o indeferimento do processo, caí por terra, uma vez que esse valor seria zero ou quanto muito, ao correspondente aos projectos elaborados, remetidos á CML e constituidos em processo camarário de OP. Tal indemnização, a haver, seria quanto a mim e apesar de tudo, uma mais valia para Lisboa, uma vez que resultaria na não construção de edifício, o que em termos urbanos seria benéfico.
E benéfico porquê?
Porque o problema passa a meu ver, por dois aspectos fundamentais, para além da referência da não legalidade, já anteriormente feita por Helena Roseta e que se resolve técnicamente.
Em primeiro lugar, passa pela imposição de uma ideia, que em nada tem a ver com a zona, descaracterizando-a, ao impôr-se monumentalmente no tecido urbano, sobrecarregando-a e rebentando com a escala do Largo do Rato .
Em segundo lugar e mais uma vez, pela forma errada de pensar a cidade:
Estamos a pensar a cidade ao contrário. Devíamos pensar no espaço, condicioná-lo, reorganizá-lo e, só depois, permitir a construção seja do que fôr, adequando os objectos, ao plano pensado e aprovado para o local.
Querem fazer um monumento á vaidade e á soberba e marcar o território com as suas obras?
Ou antes, querem intervir no casco histórico da cidade, criando-lhe mais valias?
Se é esta última que pretendem, então façam-no com modéstia e com sabedoria, realçando o que nestas zonas tem que ser salvaguardado e pondo de lado, o excesso de mais valias económicas e especulativas.
Caso contrário, será por isso mesmo, que este Rato será sempre aquele Rato!
E portanto que fique bem claro que nós cidadãos, também vamos revogar a nossa deliberação de,... ficar parados:
Voltamos á carga, que nem ginjas, ai isso é que voltamos; Jorge Santos Silva, Paulo Ferrero e todos os outros cinco mil e tal subscritores da petição, estamos outra vez nesta batalha!!!
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e para continuar a assinar a petição:http://www.petitiononline.com/lgrato/petition.html

3 comentários:

joão amaro correia disse...

mas o problema qual é? arquitectura? e os outros ao lado? são mais 'bonitos'. confesso que não percebo. talvez um 'pombalino' ali?
temo que o problema do rato seja o rato, o largo, não o mono. e disso, não ouço ninguém falar.

j

Arq. Luís Marques da silva disse...

João Amaro Correia, o problema põe-se a meu ver e para além da referência da não legalidade,feita por Helena Roseta, á forma como se impõe uma ideia que em nada, tem a ver com o local. Passa também pelo facto de que e mais uma vez, estamos a pensar a cidade ao contrário: Deveríamos pensar no espaço; devíamos condicioná-lo e reorganizá-lo e, só depois, permitir a construção seja do que fôr. E é por isso mesmo é que assim, o Rato será sempre aquele Rato!

Anónimo disse...

Numa república das bananas, qualquer especulador ou "pato bravo" faz quase sempre o que quer, e onde quer, havendo sempre que saber: a quem pagar, quanto pagar e como pagar. E a questão que se põe é se tal custo justifica ou não o "investimento"!

Mas num país ocidental, ainda por cima na sua capital?...

Sabendo nós da mais-valia do turismo, como uma das poucas vantagens que nós temos, pelas características amenas do nosso clima, dentro da Europa, como se continua a permitir este tipo de atentados à qualidade e ao património da nossa urbe???

O Largo do Rato é uma das entradas para o núcleo urbano do Príncipe Real e Baixa Pombalina! Estourar com a escala desta PRAÇA, é abrir uma fenda irreparável para a destruição de um núcleo de património de referência mundial.

Isto é matar a galinha dos ovos de ouro...

E quanto à indemnizações dos projectos elaborados: aqui não é sequer o caso. Os projectos foram chumbados; encontram-se errados; nem sequer normas básicas e directas do RGEU cumprem, tais como o respeito pela altura máxima em função do afastamento às edificações frontais - tem altura a mais; não respeitam os parâmetros do PDM!!!

A legislação não obriga ninguém a aprovar uma ilegalidade, como é aqui o caso.

Agora, que cá é habitual ameaçar e atirar com advogados ( a quem pagam ), para cima de quem quer impedir os lobos de estraçalhar os melhores espaços da cidade... isso cá já é comum.

Que numa sociedade democrática ninguém teria medo deles, nós sabemos.

O que aqui vemos é empolar tais atitudes, de assustados como coelhos que logo procuram as suas tocas...

Parabéns ao L.M.S. por esta atitude cívica, que ainda é o que nos pode dar esperanças de respeito pelos princípios básicos de ordem social com que os nossos governantes nos deviam prendar.
É para isso que os elegemos.

F. Ferreira, arq